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Esperando Godot, ou melhor, o metrô...

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Esperando Godot é uma peça de teatro escrita pelo irlandês Samuel Beckett (1906-1989). Sua história simples é comovente. Tanto que é uma das peças de teatro mais encenadas em todo mundo.

Todos os dias, num local à beira de uma estrada deserta, que não é possível descrever porque não se parece com coisa nenhuma, junto de uma árvore solitária – nua e esquelética hoje, no dia seguinte coberta de folhas – dois homens, Vladimir e Estragon, esperam Godot.

Esperam. Mas nada acontece... Ninguém chega... Ninguém parte. E Godot – o único protagonista-ausente da história do teatro – que não saberemos quem é ou o que significa, nunca virá. Para preencher a desesperada expectativa, para iludir o tédio dos dias vazios e sempre iguais, Vladimir e Estragon falam um com o outro até a exaustão, mesmo sem terem nada que dizer. Assim, ao menos sentem eles que existem.

É mais ou menos igual a história do metrô curitibano.

Começou lá atrás com Cássio Taniguchi, há 13 anos.

Até hoje os curitibanos esperam.

Esperam em vão, pelo metrô que nunca chega.

Passou Beto Richa... E continuamos esperando o metrô.

Veio o Luiano Ducci .... E nada do metrô.

Em setembro de 2013, a presidente Dilma veio a Curitiba e anunciou a liberação de 3 bilhões de reais para o metrô. O prefeito Gustavo Fruet (PDT) disse na ocasião que em novembro os curitibanos conheceriam o edital que apontará as empresas que tocarão a obra.

2013,2014,2015 foram e 2016 está indo embora e nada aconteceu.

Tal como Godot, o metrô é esperado. Virá?

A primeira fase do metrô de Curitiba, anunciada pela Prefeitura, prevê 17,6 quilômetros, ligando a estação CIC Sul ao terminal Cabral. O trecho entre a CIC Sul e a Rua das Flores, com 14,2 quilômetros, deverá ser concluído em 2018. Já a extensão até o Cabral está prevista para 2019.

Só que este projeto tem algo de mentiroso.

A primeira estação prevista é a CIC-Sul.

Mas se olharmos no projeto da Prefeitura, os trabalhadores da CIC vão esperar pelo metrô mais do que os personagens esperam por Godot.

Porque a estação CIC-Sul não vai ficar na CIC e, sim, no Pinheirinho, entre as ruas Nicola Pelanda e Issac Ferreira da Cruz.

Outra aberração: o metrô será construído com recursos públicos. E, depois, será administrado pela iniciativa privada.

Qual família será a felizarda?

Os Gulim ou os Bertoldi?

É a mesma fórmula do sistema do pedágio no Paraná. O DER,e DNER pavimentaram as estradas.

E agora essa a “competência privada” aplica nas estradas construídas com dinheiro público umas das tarifas mais caras do mundo.

Por isso, o metro curitibano deve ser municipal por inteiro...

Nada de entregar o ouro pro bandido.

Bandido por bandido, preferimos ficar com aquele que podemos tirar dali a quatro anos.

Valdir Cruz é jornalista e professor

 

 

 

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