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A ignorância é força

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Mais do que The Big Brother is watching you, essa frase dá a grande tônica do ponto de embrutecimento das massas em 1984. A obra é, sobretudo, uma crítica ao totalitarismo e as ameaças à liberdade fundamental do ser humano. Militante de esquerda, George Orwell pretendia, através de sua obra, denunciar esses regimes que pululavam pelo mundo à sua época, 1948 e em particular o stalinismo. A eficácia de sua crítica é tal que a obra adquiriu, ao longo dos anos, um caráter universal e sempre atual, em ressonância com alguns de nossos temores e comportamentos atuais.

Os conceitos apresentados por Orwell dão ao leitor, meios de tomar consciência dos perigos que rondam as diferentes formas de totalitarismo e de refletir sobre a evolução da sociedade. Assim, o conceito de Big Brother, líder invisível que tudo vê e tudo controla tornou-se sinônimo de uma sociedade de hipervigilância e de práticas que atentam à vida privada. Por outro lado, o conceito de Novilíngua, uma língua na qual o vocabulário se faz de mais em mais empobrecido e restrito ao longo do tempo, com a intenção de reduzir a capacidade de reflexão e no qual os conceitos são deliberadamente deturpados pelo Partido (Paz é guerra, Liberdade é escravidão), é um dos conceitos-chave na obra.

Tudo isso mostra a grande capacidade de George Orwell de construir um mundo plausível e assustador. Manipulação de massas, culto à personalidade, tortura e controle dos meios de comunicação, etc. são aspectos marcantes desta contra-utopia.

Isso nos faz pensar: qual é a ameaça que paira sobre nós hoje? Seria a ascensão de um regime político ultradominante e global? Seria uma rede social que vulgariza e massifica o pensamento? Seria uma empresa de comunicação cada vez mais dominadora? Difícil e até preferível não saber. Mas fica aqui uma pergunta: num mundo em que – grande sinal de mau-gosto – Big Brother é o nome escolhido para uma emissão em que pessoas disputam para ser colocadas em situação de perda de privacidade e superexposição, a ameaça vem mesmo de cima para baixo ou é a grande massa quem pede pelo Grande Irmão?

Adriana Martins - Historiadora e colaboradora do Jornal Centro Cívico

 

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